quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Aurora - um poema deutoglota



Após a publicação do poema deutoglota (isto é, que pode ser lido em duas línguas, no caso em latim e em italiano) de Butturini, recebi do amigo Sérgio Pachá os versos abaixo que foram escritos no século XIX para serem lidos em latim e em português (se tomarmos a ortografia mais antiga de nosso idioma, anterior às inúmeras reformas por que passou). O trabalho do poeta Castro Lopes é notável, embora se deva salientar que não tenha conseguido - devido à natureza do português um pouco mais distante do Lácio - o mesmo grau de identificação (a pronúncia denuncia se se lê numa língua ou noutra) com o latim que alcançara o veneziano em seu louvor dirigido à cidade natal.

Deixo a "tradução", melhor seria dizer "versão", com os leitores.

AURORA

Castro Lopes

Salve, aurora ! Eia, refulge !
Eia ! anima valles, montes !
Hymnos canta, o Philomela,
Hymnos jucundos, insontes !

Eia ! Surge, vivifica
Pendentes ramos, aurora !
Aureos fulgores emitte,
Pallidas messes colora !

Protege placidos somnos
Inquietas mentes tempera.
Duras procellas dissipa,
Terras, flores refrigera !

Extingue umbrosos vapores,
O sol, o divina flamma !
Lucidas portas expande
Tristes animos inflamma !

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